Os organismos que vivem em nosso planeta possuem assinaturas únicas em seu DNA que permitem a sua identificação por análises de biologia molecular, também conhecidas como ‘DNA barcoding’, ou código de barras do DNA. Estas informações podem ser amplamente utilizadas para evitar fraude na composição de produtos orgânicos. 

 

Método para identificação de fraude

 

Muitos alimentos processados, industrializados ou simplesmente manipulados, podem ser alterados, sem a especificação apropriada em seu rótulo, o que configura fraude de composição. A identificação de segmentos específicos de DNA presentes no produto, podem indicar claramente a composição do mesmo, sendo ele vegetal ou a base de carne, por exemplo. 

Esta análise utiliza o sequenciamento de DNA em larga escala para identificação de marcadores específicos. Os fragmentos de DNA obtidos são comparados, e em seguida, analisados para evidenciar a presença de determinados organismos na amostra.

A utilização de sequenciamentos de nova geração (NGS), foi um grande avanço para a otimização destas metodologias de detecção de fraude, uma vez que permite a identificação paralela em matrizes complexas, compostas por uma diversidade de organismos.

A aplicação da metodologia inclui a identificação das espécies presentes em produtos cárneos (ex. aves, bovinos, porcos, cavalos), e também permite identificar a presença de DNA de organismos como ratos, gato, cachorro ou humanos. Esta abordagem pode ser um importante aliado na certificação de alimentos, incluindo produtos vegetarianos, indicando de fato a ausência de DNA animal.

 

Alguns casos de fraude

 

Anos atrás na Europa, um grande escândalo revelando a presença de carne de cavalo em produtos bovinos, foi amplamente divulgado e serve como um exemplo claro da possibilidade de fraude em qualquer produto, mesmo que orgânico. No mesmo incidente, também foi identificado DNA de porco em grande parte dos produtos identificados como bovino.

Outro exemplo de fraude envolve produtos medicinais à base de ervas (ex. fitoterápicos e suplementos), onde as matérias-primas vegetais são alteradas – acidentalmente ou não – por outras de menor valor.

Até mesmo produtos livres de trigo, por exemplo, podem ser avaliados com base nas sequências de DNA encontradas na amostra.

A análise de DNA de alimentos é uma ferramenta importante para identificação da composição de produtos, revelando os ingredientes animais ou vegetais que compõem os mesmos e auxiliando no rastreamento de possíveis fraudes e adulterações.

Diversos estudos, utilizando sequenciamento de DNA, retratam bem este cenário de detecção de fraude.

Veja abaixo alguns artigos e citações 😉

 

REFERÊNCIAS

 

DNA barcoding: an efficient tool to overcome authentication challenges in the herbal market

Priyanka Mishra et al, Plant Biotechnology Journal (2016) 14, pp. 8–21. doi: 10.1111/pbi.12419

 

DNA barcoding detects contamination and substitution in North American herbal products

Steven G Newmaster et al., BMC Medicine (2013) 11:222. DOI: 10.1186/1741-7015-11-222

 

Authentication of medicinal plants by DNA markers. Showkat Hussain Gani et al, Plant Gene Volume 4, December (2015) 83–99. 10.1016/j.plgene.2015.10.002

 

DNA Barcoding as a Molecular Tool to Track Down Mislabeling and Food Piracy. Gianni Barcaccia et al., Diversity (2016) 8, 2; doi:10.3390/d8010002

 

Advances in DNA metabarcoding for food and wildlife forensic species identification

Martijn Staats et al., Anal Bioanal Chem. (2016) 408: 4615–4630 10.1007/s00216-016-9595-8

 

Horsemeat scandal: the essential guide. Felicity Lawrence, The Guardian 15 February 2013 18.22 GMT