Quando falamos em bioinformática, é comum imaginar ser algo de outro mundo ou que ficamos horas em laboratório olhando microscópios de última geração. Apesar de ser uma área relativamente nova, a bioinformática não veio de outro planeta, e podemos sim ficar em laboratórios, mas nossas horas são empregadas em frente à tela de computadores. Assim, podemos definir bioinformática, a aplicação de métodos computacionais, matemáticos ou estatísticos com objetivo de solucionar questões biológicas, a partir do sequenciamento de moléculas e informações relacionadas.

E com o advento dessas novas tecnologias de sequenciamento de DNA, a quantidade de informações biológicas produzidas cresce vertiginosamente [1].

bioinformática

Figura 1. Número de genomas completos depositados por ano no NCBI, dos reinos Eucariotos, Procariotos e Vírus gerado por ncbi_genome [2]

Algumas publicações demonstram que a velocidade de crescimento dos dados genômicos superam outros campeões em volume de dados, como a Astronomia, Twitter e Youtube [3]. Assim como os outros domínios de Big Data, a bioinformática se propõe em adquirir, armazenar, distribuir e analisar toda essa informação, transformando em conhecimento útil, para ser utilizadas em outras áreas que demandam deste conhecimento. E para atender a este propósito, alguns desafios ainda tem que ser superados, fazendo com que a bioinformática seja campo de aplicação de estados da arte de diversas áreas, como algumas que citamos na sua própria definição.

Suas aplicações não se concentram apenas nas ciências da saúde. Apesar de ser comum a utilização de análises de bioinformática em diagnóstico para aconselhamento sobre cuidados e precauções baseado em variantes ou padrões genéticos (Data-driven medicine), bem como na indústria farmacêutica, que dão emprego à essas referências para escolha de moléculas com perfil necessário para atuação em determinado alvo e descartado em outros [4].

Podemos ver também o uso das informações oriundas de dados genômicos: Na agricultura, na escolha de sementes para determinado solo ou clima. Na pecuária, para a descobertas de genes que dão melhores características à carne aumentando o interesse econômico. Na indústria alimentícia, na descoberta de enzimas que catalisam compostos desejáveis em determinado produtos [5], entre outras inúmeras áreas.

Diante dessa demanda, observamos que muitas empresas têm procurado profissionais desta área, alguns cursos de graduação já adotam disciplinas baseadas em bioinformática em suas grades básicas. Além dos cursos de pós-graduação que nos últimos anos têm formado os profissionais que atuam no país e no exterior, onde o mercado está mais aquecido. Assim a bioinformática tem se mostrado uma ferramenta poderosa com efeitos em diversas áreas e também tem um papel fundamental para evolução da ciência no geral.

 


  1. [1] Oliveira, L. F. V. Plataformas de sequenciamento de DNA. Neoprospecta Microbiome Technologies. 2016.  Disponível em: https://neoprospecta.com/plataformas-sequenciamento-dna/ [Acessado em 30/10/2016].
  2. [2] NCBI Genome. Disponível em: https://github.com/zyndagj/ncbi_genomes [Acessado em 30/10/2016].
  3. [3] Stephens ZD, Lee SY, Faghri F, Campbell RH, Zhai C, Efron MJ, et al. (2015) Big Data: Astronomical or Genomical? PLoS Biol 13(7): e1002195. doi:10.1371/journal.pbio.1002195
  4. [4] de Araújo ND, de Farias RP, Pereira PB, de Figueirêdo FM, de Morais AMB, Saldanha LC, et al. A era da bioinformática: seu potencial e suas implicações para as Ciências da Saúde. Estud Biol. 2008;30(70/71/72):143-8.
  5. [5] Portal educação. Aplicações da bioinformática. Disponível em:  https://www.portaleducacao.com.br/biologia/artigos/36356/aplicacoes-da-bioinformatica [Acessado em 30/10/2016].

Sobre o autor: Rômulo Lúcio Vale de Moraes é doutor em Bioinformática pela UFMG, 2012 e Bacharel em Ciências da Computação pela UFPI, 2005. É pesquisador e coordenador técnico em Bioinformática na Neoprospecta Microbiome Technologies.